Forbes Brasil 2025: bilionários da tecnologia e o salto de Eduardo Saverin com a onda da IA

Forbes Brasil 2025: bilionários da tecnologia e o salto de Eduardo Saverin com a onda da IA

Quem lidera e por quê

Um salto de 45,5% em um ano colocou Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, outra vez no topo dos bilionários da tecnologia no Brasil. A lista 2025 da Forbes Brasil mostra o paulista, hoje radicado em Singapura, com patrimônio estimado em R$ 227 bilhões. A onda de inteligência artificial, que empurrou para cima as avaliações das grandes empresas de tecnologia no mundo, ajudou a turbinar o valor das participações de investidores ligados ao setor — caso de Saverin, ainda acionista minoritário da Meta, além de ativo no venture capital.

O ranking também chama atenção para nomes que representam fases distintas da tecnologia brasileira. De um lado, Daniel de Freitas, fundador da Character.AI, surge entre os cinco mais ricos do setor, refletindo a força dos modelos de conversa e da corrida por IA generativa. De outro, Laércio José de Lucena Cosentino, maior acionista individual da Totvs, reforça o peso do software corporativo “made in Brazil”, baseado em receita recorrente e em soluções para empresas de médio e grande porte.

A presença desses perfis no alto da lista ajuda a contar duas histórias complementares. A primeira é global: a IA elevou expectativas de lucro, multiplicou rodadas de captação e reprecificou ativos ligados a dados, nuvem e semicondutores. A segunda é doméstica: o Brasil amadureceu em software empresarial e serviços de tecnologia, com empresas que atravessaram ciclos econômicos e investiram por décadas em ecossistemas próprios.

O que a lista revela sobre a economia e a tecnologia

O que a lista revela sobre a economia e a tecnologia

A fotografia de 2025 não é só sobre indivíduos ricos; ela sinaliza onde o capital está se acumulando. A Forbes Brasil contabilizou 300 brasileiros com mais de R$ 1 bilhão. O recorte por gênero, participação e movimento anual do patrimônio abre pistas sobre o momento econômico e o papel da tecnologia como motor de riqueza.

  • 300 brasileiros com patrimônio acima de R$ 1 bilhão.
  • 240 homens somam R$ 1,68 trilhão; 60 mulheres reúnem R$ 343,7 bilhões.
  • Vicky Safra é a única mulher no top 10 geral.
  • 56,33% dos bilionários ficaram mais ricos em 12 meses; 20,6% encolheram; apenas uma pessoa ficou estável.
  • 31 estreantes ingressaram no grupo de bilionários em 2025.

Há uma leitura direta aqui: o ciclo de valorização em tecnologia se espalhou para quem detém participações relevantes, seja por ações listadas, seja por fatias em empresas de capital fechado reprecificadas por novas rodadas. A metodologia tradicional da Forbes combina dados públicos, cotações de mercado, balanços e estimativas — ou seja, oscilações de bolsa, variação cambial e eventos de liquidez (como vendas secundárias) pesam no resultado final.

No topo da tecnologia, a aceleração veio da IA. Modelos mais poderosos exigem infraestrutura — chips, nuvem, data centers — e abrem espaço para aplicativos novos, de assistentes digitais a automação de tarefas. Isso puxa receitas de big techs e, por tabela, valoriza participações de fundadores e primeiros investidores. É nesse trilho que a fortuna de Saverin, ancorada na Meta e em investimentos ligados ao ecossistema digital, se agigantou.

Ao mesmo tempo, o Brasil mostra uma face própria da riqueza em tecnologia: software empresarial e soluções de gestão. A Totvs é o caso mais visível. O modelo de receita recorrente, contratos de longo prazo e penetração entre médias empresas criam uma base robusta, menos dependente de modismos. A valorização desse tipo de ativo costuma ser mais estável ao longo do tempo, mas se beneficia quando cresce a digitalização de setores tradicionais.

O avanço de Daniel de Freitas com a Character.AI representa outra ponta do pêndulo: a da fronteira tecnológica. Startups focadas em IA conversacional viraram palco da disputa por talento, propriedade intelectual e capital. Quando uma rodada de financiamento reavalia a empresa ou quando o mercado aposta numa expansão acelerada, o patrimônio dos fundadores acompanha a curva.

A edição 2025 também diz muito sobre o ritmo da economia. A maioria dos bilionários viu ganhos no ano, e o número expressivo de novos integrantes (31) indica janelas de valorização e liquidez mais abertas. Isso pode refletir um ambiente de capital menos travado, alguma recuperação de apetite ao risco e, principalmente, a percepção de que tecnologia volta a liderar a próxima perna de crescimento.

Ainda assim, os números expõem um desequilíbrio que não cede: a baixa presença feminina no topo. Mesmo com mulheres acumulando R$ 343,7 bilhões no agregado, apenas uma está entre as dez maiores fortunas. A tecnologia não foge dessa regra. Gaps de acesso a capital, redes de investimento e histórico de liderança em empresas listadas seguem como barreiras. Sem mulheres em cargos-chave, a participação no equity — e, no fim, no patrimônio — tende a ser menor.

Para o mercado, a lista funciona como um termômetro do que tende a ganhar relevância no próximo ciclo. Alguns sinais práticos:

  • IA como infraestrutura: investimentos em data centers, nuvem e ferramentas de produtividade baseada em modelos de linguagem ganham prioridade orçamentária em empresas.
  • Software B2B resiliente: plataformas de gestão, ERPs e automação seguem capturando digitalização em setores tradicionais.
  • Venture capital seletivo: cheques mais criteriosos, porém com prêmios maiores para lideranças claras em IA e cibersegurança.
  • Mercado de capitais: janelas de IPO e ofertas subsequentes tendem a reabrir de forma intermitente; empresas com métricas de eficiência saem na frente.

Outro ponto: a volatilidade não desapareceu. Patrimônios calculados com base em cotações diárias e múltiplos sensíveis a juros globais podem oscilar com força. A valorização expressiva de 2025 pode conviver com correções se o apetite por risco esfriar. Por isso, leituras anuais do ranking capturam um movimento de momento, não uma garantia.

Mesmo com esse alerta, a tendência estrutural favorece a tecnologia. Empresas brasileiras que resolvem dores claras — conciliação fiscal, meios de pagamento, logística integrada, gestão de cadeia — encontram demanda estável. E o empurrão da IA cria efeitos de segunda ordem: modelos que reduzem custos operacionais, aceleram desenvolvimento de software e melhoram atendimento ao cliente ampliam margens e podem justificar múltiplos maiores.

No curto prazo, os holofotes seguem em três frentes: desempenho das big techs globais, ritmo de adoção de IA em negócios tradicionais no Brasil e fluxo de capital para startups locais. Se essas três linhas continuarem firmes, a próxima edição da lista tende a manter a tecnologia em destaque e, possivelmente, a ampliar o espaço de fundadores e executivos que surfam essa nova onda.

Por fim, a fotografia de 2025 consolida uma mensagem simples: quando a inovação ganha tração, o efeito se espalha. Do investidor com fatias em gigantes globais ao empreendedor que cria software de gestão a partir do Brasil, quem está exposto aos motores certos da digitalização colhe os ganhos — e a lista da Forbes Brasil apenas tornou esse movimento mais visível.

Alisson Podgurski
Alisson Podgurski

Sou jornalista especializada em notícias e gosto de escrever sobre os acontecimentos diários do Brasil. Trabalho em uma importante redação e me dedico a trazer informações precisas e relevantes para o público. Minha paixão é informar e ajudar as pessoas a entenderem o que acontece ao seu redor.

Escreva um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *