As semifinais da Copa do Brasil Sub-20 2025 começaram com emoção e surpresas em Belo Horizonte. No primeiro jogo, o América-MG derrotou o IAPE por 1 a 0 no Estádio Raimundo Sampaio, também conhecido como Independência. Horas depois, o Atlético-MG fez o mesmo contra o São Paulo, vencendo por 1 a 0 na Arena MRV. Duas vitórias, dois clubes em vantagem, e um cenário inédito: pela primeira vez na história da competição, duas equipes de Minas Gerais avançam juntas às semifinais — e ambas venceram em casa. O que parecia uma disputa entre grandes tradições virou um confronto entre o poder de casa e a força da surpresa.
Surpresa no Maranhão: o IAPE que desafiou o Brasil
Ninguém esperava que o IAPE — Instituto de Administração e Pesquisa Esportiva do Maranhão — chegasse tão longe. Um clube sem tradição nacional, sem estrutura de grandes centros, que mal aparece nos noticiários esportivos. Mas em 19 de novembro, no Estádio Castelão, em São Luís, o time maranhense eliminou o Grêmio Novorizontino por 2 a 1, após empate de 1 a 1 no primeiro jogo, em São Paulo. Foi um gol de placa, uma defesa de último minuto e uma torcida que encheu o estádio com bandeiras vermelhas e brancas. O IAPE não tem campeonatos estaduais importantes no currículo, mas agora tem um lugar no mapa do futebol juvenil brasileiro. E isso mexe com a lógica do torneio: o que vale mais, nome ou desempenho?O poder de casa: Belo Horizonte como fortaleza
Belo Horizonte virou o centro do futebol juvenil brasileiro na última semana. Dois jogos, duas vitórias, dois estádios lotados. O América-MG venceu o Vasco da Gama nas quartas por 3 a 1 no agregado, com um gol decisivo de Julio Cesar, artilheiro da equipe na competição. Já o Atlético-MG superou o Flamengo nas penalidades após empate em 0 a 0 nos 90 minutos, e depois bateu o Sport por 2 a 0 na volta das quartas. O técnico do Galo, ainda sem nome oficialmente divulgado, montou uma equipe sólida, com marcação alta e contra-ataques rápidos. Um dos destaques foi o jovem Mateus Iseppe, que marcou o único gol contra o São Paulo — e já é apontado como um dos principais talentos da geração 2005.
A queda do Papão: Paysandu e a campanha perfeita que não foi suficiente
Enquanto os grandes clubes avançavam, um time que parecia invencível caiu. O Paysandu Sport Club, da Amazônia, entrou na competição como favorito. Com 100% de aproveitamento, 3 vitórias, 10 gols marcados e nenhuma sofrida, o Papão era o time mais ofensivo da fase de grupos. Mas nas quartas, enfrentou o São Paulo e perdeu por 2 a 1 no agregado. O que aconteceu? A pressão, talvez. O cansaço. Ou simplesmente o fato de que, no futebol, o melhor não sempre vence — às vezes, só o mais preparado para o momento. O Paysandu, fundado em 1914, teve sua melhor campanha em décadas. Mas a eliminação deixou um gosto amargo: e se tivessem enfrentado alguém mais fraco nas quartas?Quem está em vantagem? E o que vem a seguir?
Com os resultados do primeiro jogo das semifinais, Atlético-MG e América-MG têm a vantagem. Mas o futebol não se resolve em um jogo. O São Paulo, por exemplo, tem tradição em viradas — e já mostrou isso na Copa do Brasil da categoria em 2023, quando veio de trás contra o Grêmio. Já o IAPE, mesmo perdendo por 1 a 0, não saiu de campo como derrotado. Jogou com coragem, pressionou o América-MG o tempo todo e teve chances claras. Se conseguirem marcar no jogo de volta, tudo pode acontecer. A segunda perna das semifinais ainda não tem data confirmada, mas deve ocorrer entre 3 e 7 de dezembro. A CBF ainda não divulgou os locais, mas tudo indica que os jogos serão em casa para os times que perderam o primeiro jogo — ou seja, São Paulo e IAPE terão o apoio da torcida.
Por que isso importa para o futuro do futebol brasileiro?
Essa edição da Copa do Brasil Sub-20 não é só sobre quem vai jogar a final. É sobre quem está sendo visto. O IAPE, por exemplo, já recebeu propostas de centros de treinamento de São Paulo e Rio de Janeiro para contratar dois de seus jovens zagueiros. O Atlético-MG, por sua vez, está usando a campanha como vitrine para novos talentos que podem ser vendidos no mercado internacional. O São Paulo, que tem um dos melhores centros de formação do país, precisa provar que ainda consegue gerar jogadores de elite. E o América-MG? Está reescrevendo sua história. Desde 2019, o clube vinha em declínio nas categorias de base. Agora, está de volta às semifinais pela primeira vez em 12 anos. Isso não é sorte. É planejamento. E isso pode mudar o rumo de toda a estrutura de formação do clube.Frequently Asked Questions
Como o IAPE conseguiu chegar às semifinais sem tradição no futebol nacional?
O IAPE investiu pesado em infraestrutura e parcerias com escolas públicas no Maranhão desde 2022, criando um programa de identificação de talentos em regiões carentes. Com apoio da prefeitura de São Luís e do governo estadual, o clube montou uma equipe coesa, com jogadores que jogam juntos desde os 14 anos. A chave foi a consistência tática e a disciplina defensiva — algo raro em equipes juvenis. Eles não têm grandes nomes, mas têm um espírito de equipe raro.
Quem são os principais artilheiros da Copa do Brasil Sub-20 2025?
Até as semifinais, o líder absoluto é o atacante do São Paulo, que marcou 7 gols. Empatados em segundo lugar estão Julio Cesar, do América-MG, e Mateus Iseppe, do Atlético-MG, ambos com 4 gols cada. Curiosamente, nenhum dos artilheiros é de um clube tradicional da Série A — dois são de equipes que jogam na Série B ou em ligas regionais, o que mostra a democratização do talento no futebol juvenil brasileiro.
Por que o Paysandu foi eliminado mesmo com a melhor campanha?
O Paysandu tinha uma equipe ofensiva, mas frágil defensivamente. Nos três jogos anteriores, não sofreu gols — mas contra o São Paulo, perdeu a concentração nos minutos finais. Além disso, o time enfrentou uma viagem de mais de 3.000 km para jogar em São Paulo, e o desgaste físico foi evidente. A CBF não oferece suporte logístico para equipes do Norte e Nordeste, o que torna a competição desigual — e o Paysandu pagou o preço.
O que acontece se o IAPE empatar ou vencer o jogo de volta contra o América-MG?
Se o IAPE vencer por 1 a 0 ou empatar por 2 a 2, avança por regra do gol marcado fora de casa. Se empatar por 1 a 1, a decisão vai para os pênaltis. O América-MG, mesmo com a vantagem, não pode relaxar. O IAPE tem a vantagem psicológica: já eliminou times mais fortes, e sua torcida vai lotar o estádio em São Luís. O clube mineiro nunca enfrentou um adversário tão determinado — e isso pode ser decisivo.
IAPE merece respeito. Jogou com coração e mostrou que futebol não é só nome grande.
O modelo do IAPE é um case de high-performance youth development com focus em grassroots talent ID e tactical consistency - não tem nada a ver com os clubes tradicionais que ainda vivem no modelo de escala e investimento massivo. Esse é o futuro.
Essa história do IAPE me deu vontade de chorar 🥹 Quando o futebol volta a ser sobre garotos que sonham e não só sobre marcas e patrocinadores...